Não foram apenas os trabalhadores deste país que aprenderam com os erros do passado; também os gatos gordos, sentados nas suas cadeirinhas almofadadas, souberam evitar pisar pedras soltas, que podem eventualmente conduzir a vitorias da classe trabalhadora. A economia mundial tornou-se um jogo de xadrez, jogado por uma minoria que nunca saberá o que é náo ter pão na mesa. Estes senhores, especuladores da banca, representantes dos grandes mercados mundiais, têm o mundo nas mãos. A politíca tornou-se o "culto" dos mercados, cada país a baixar as calças mais e mais à espera dos favores dos mercados, das migalhinhas que, se caírem cá, nunca chegam ao povo. E eles falam de uma dívida que todos nós temos que pagar. Porque vivemos uma vida de luxo, porque vivemos mais anos (crime!) e não temos dinheiro para as pensões! Esquecem-se de dizer que esta dívida foi criada pela ganância tão própria do capitalismo, pelo dinheiro injectado nos bancos de que nunca veremos um cêntimo, pela especulação global sobre os preços dos alimentos ou a quantidade de chuva que cairá no próximo ano. Porque estes senhores, tão ricos, podem dar-se ao luxo de jogar com coisas tão fúteis como isto. Não nos deixemos enganar pelo que ouvimos na televisão e no rádio: ESTA CRISE NÃO FOI CRIADA PELO POVO!
Eu nasci e cresci em Viana, onde os ENVC foram sempre um exemplo vivo de luta pelos direitos dos trabalhadores, com um sindicalismo forte. Tanto que, nas conversas que mantenho com trabalhadores do país onde agora moro, sempre o usei como um exemplo de união e força. E vitórias. Acreditem, comparado com a maioria dos locais de trabalho, os Estaleiros têm muito de que orgulhar. Mas não sejamos ingénuos e acreditemos que esta redução de trabalhadores pela metade têm em vista "salvar" a empresa. Não, definitivamente, não tem. Como eu disse no princípio, também os patrões aprenderam com os erros, e é muito mais fácil reduzir os trabalhadores agora, dividir a sua força, de que encerrar a empresa por completo imediatamente. O problema é, esse será o próximo passo. 340 trabalhadores têm muito menos força que 800, e no prazo de um ano ou dois, eles livram-se do problema muito mais facilmente do que presentemente. è por isso que é tão importante que a cidade, não só os trabalhadores, se unam nesta luta, porque esta é uma luta da cidade, não de uma empresa. Os ENVC não são viáveis? Dão prejuízo? Possivelmente não dariam se houvesse uma gerência responsável, uma modernização da maquinaria e um investimento consciente no futuro da empresa. Infelizmente, não poderei estar presente na demonstração, por me encontrar noutro país (e depois perguntam porque tantas pessoas emigram...). Estarei, no entanto, a fazer o mesmo no Reino Unido, estarei à porta das empresas e serviços públicos que os mesmos gatos gordos pretendem fechar, pelos mesmos motivos que em Portugal. Na próxima quinta-feira haverá uma greve convocada por 3 dos sindicatos da função pública e eu estarei ao lado dos trabalhadores que, também aqui, não conseguem perceber como é que fechar empresas e aumentar o número de desempregados vai ajudar a economia..Estarei, no entanto, de coração, convosco.... Força, camaradas!
terça-feira, 28 de junho de 2011
sábado, 17 de julho de 2010
The ginger side of life:)
No one told me that you would enter my life like you did.
No email, letter, nor even a single text message to make me aware of the event.
Just a big smile in my front door, a smile that matched the one you (never) promised...
No one took the time to introduce me to you.
No shaking hands, cheek kisses, how are you not to bad
But no warning could had make me aware of how shiny is life in its ginger side;)...
No email, letter, nor even a single text message to make me aware of the event.
Just a big smile in my front door, a smile that matched the one you (never) promised...
No one took the time to introduce me to you.
No shaking hands, cheek kisses, how are you not to bad
But no warning could had make me aware of how shiny is life in its ginger side;)...
When the hurricane passed and I found out why I'm here
Sei bem o que me rouba as noites. Sei o som das estrelas quando não estás. A queda implacável da lua, prisioneira do meu relógio, enquanto os cães uivam ao vento e os carros passam, seguindo a pressa da estrada.
Sei bem as palavras que não me deixam dormir. Ecoam nas paredes do quarto. No risco dos dedos. Na janela entreaberta.
Sei bem o segredo dos dias…
Os círculos que desenho no vazio, entre o fumo de um cigarro aceso e o frio do mosaico nos pés descalços. Ando às voltas, sem sair de onde parti, sem respostas para as perguntas, presa no que não quero saber…
Tenho ainda fome do mundo. Tenho a alma cheia de não sei o quê, o peito a explodir de raiva, de electricidade. Não consigo controlar esta energia que me cresce nas entranhas, os volts que me explodem nas mãos e que eu nunca sei a quem posso dar… Guardo-os. Desperdiço-os. Magoam-me. Destroem-me. Roem-me os sonhos e os planos. Matam-me devagar…
E se me perguntarem porque continuo a sorrir só posso responder que é por mim…
Sei bem as palavras que não me deixam dormir. Ecoam nas paredes do quarto. No risco dos dedos. Na janela entreaberta.
Sei bem o segredo dos dias…
Os círculos que desenho no vazio, entre o fumo de um cigarro aceso e o frio do mosaico nos pés descalços. Ando às voltas, sem sair de onde parti, sem respostas para as perguntas, presa no que não quero saber…
Tenho ainda fome do mundo. Tenho a alma cheia de não sei o quê, o peito a explodir de raiva, de electricidade. Não consigo controlar esta energia que me cresce nas entranhas, os volts que me explodem nas mãos e que eu nunca sei a quem posso dar… Guardo-os. Desperdiço-os. Magoam-me. Destroem-me. Roem-me os sonhos e os planos. Matam-me devagar…
E se me perguntarem porque continuo a sorrir só posso responder que é por mim…
You, women...
Tenho saudades do teu corpo nas noites em que me viro na cama até me enrolar no lençol, o suor colado à pele, o desenrolar do filme em frente dos olhos… Vem-me à ideia, desfiado em pormenores quase macabros, o percurso da ultima noite que passaste comigo, o riso, o sorriso, a tua cara… talvez tudo estudado, vejo agora, vocês as mulheres nascem com isso, o poder dissimulado de sentir o que não sentem… De magoar sem palavras, de matar os gestos sem aviso prévio, como se a vida fosse uma peça que está em cena há demasiado tempo…
Tenho saudades do teu corpo, de o ver sentado na cadeira do quarto, nu em frente à jarra de flores, a comer pizza encomendada à pressa, no intervalo do sexo. Comes como as crianças pequenas, em bocadinhos, estudas a fatia e escolhes minuciosamente que lado trincar… Dantes, irritava-me com estas pequenas coisas, quando achei que o teu prazo de validade tinha terminado, quando pensei que te deveria dizer adeus de uma forma serena, para evitar cenas e confrontos, para evitar que a despedida fosse demasiado colorida com sentimentos que não interessam. Há muito que aprendi a lidar com mulheres, as muitas que passaram pela minha vida antes de ti ensinaram-me a fazer as coisas direito, as separações tornaram-se tão rotineiras que me transformo em algo mecânico, como se não fosse eu no meu corpo, outro homem, um patrão a despedir o empregado incompetente…
Tenho saudades do teu corpo, chamava-te orquídea quando te descrevia aos amigos, o secretismo dos encontros a deixá-los com a incerteza da verdade, eu a contar do sexo, das tuas formas, do teu gosto a terra e a mar… Ah, como me tiras o sono! Tu, que viraste as cartas a teu favor, que inverteste as minhas regras do jogo, que te foste embora antes de eu poder fazer o meu papel de patrão a despedir o empregado… Se calhar é por causa disso que não me sais da cabeça, que te procuro nas ruas e que passo noites em branco a rever a história… Nem sequer te posso contar a raiva que te tenho. A vontade de te bater. De te fazer o que me fizeste, de te atropelar com a camião da indiferença sem olhar para trás…
Tenho saudades da cor da tua pele. Do desenho das veias nos teus seios, no teu pescoço, nas tuas mãos… A tua mania de falar com as mãos, de explicar tudo por gestos, como se eu fosse surdo, numa linguagem tão tua… Dos teus olhos. Parecia que cresciam quando te rias, faiscavam luz quando me ouvias…
Viro-me outra vez na cama. Levanto-me. Busco na janela vestígios de ti. Afinal, tu és a razão da minha insónia, onde estás? Pergunto-me se entendeste os sinais que te passei, se de alguma maneira te disse com os olhos que queria acabar, se me leste a mente enquanto comíamos a pizza…
Fumo um cigarro, eu que os detesto, mas o travo do fumo no teu cabelo, a mistura com o champô de frutos, com o teu próprio cheiro… Engasgo-me. Tusso. Praguejo…
Visto-me. Pego nas chaves do carro. Vou sair. Encontrar-te-ei no café em que nos conhecemos. Tenho a certeza que estarás lá, a fumar o cigarro de sempre, a colorir as palavras com gestos, como se os outros fossem surdos...
For you, keep my heart where you are
Estou aqui há muito tempo, disse-me a Sãozinha agora, nem há meia hora, quando me veio trazer o lanche. Disse-me também que amanha é dia de visitas e isso quer dizer que amanhã vêm cá aquelas pessoas que me tratam por paizinho e me apertam as mãos e insistem que eu coma iogurtes e papas para bebé. E quando eu me lembro de quem são até fico contente por cá estarem, acho eu. Só que depois vem outra vez aquela onda negra que me varre a memória e me faz esquecer o meu próprio nome e ver moscas a pairar sobre o meu corpo sem as poder enxotar. Estou aqui a apodrecer nesta cama as pernas não mexem as mãos não obedecem as palavras não saem. Nos raros momentos que sei quem sou adivinho a morte nas entranhas. A velhice dos ossos. O cansaço da pele. Revejo a infância, sempre a minha infância (será que estou aqui desde menino?) os putos que cresceram comigo, os banhos no rio à escondida da minha mãe que depois toma outro rosto e se chama Júlia e aí posso jurar que esta Júlia não me é nada estranha se calhar viveu comigo casou comigo ou se calhar tomou conta de mim quando a minha mãe não estava. Tenho a impressão que ela dormia nesta cama aqui ao lado, esta cama que agora está vazia...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Life after the hurricane (part 1)
Se fecho os olhos ainda te consigo ver deitado ao meu lado. Ainda sinto o teu cheiro e a tua pele na ponta dos meus dedos. Ainda te quero.
Ainda penso em contar-te o meu dia quando chego a casa, cansada, à espera de um abraço que nunca mais vai acontecer.Ainda ouço o teu riso no percurso dos meus passos, infinitamente meus, agora.
E se me deixo levar pela imaginação, ainda estarás à minha espera num aeroporto cheio de gente, com o sorriso estampado no rosto....
Apesar de tudo... ainda te espero.
De braços aberto, o meu corpo a pedir o teu, meus lábios que buscam agora o vazio da almofada...
Levaste-me a alegria. Mas eu ainda aguardo que ma tragas de volta, um dia, um dia qualquer.... Um domingo do fim de Março quando eu voltar, por exemplo....
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Sweet & Sour
A vida é cheia de surpresas. De coisas boas e más. De miminhos e pontapés.... Eu sigo a teoria de lidar com o que aparece, de abraçar quem te dá miminhos e de fugir (ou lutar) contra quem te magoa... A vida é cheia de momentos sweet & sour e nunca precisaremos de os criar num momento de calmia sentimental. Precisamos do doce, claro, para nos dar alento a seguir viagem. Precisamos de momentos azedos para sabermos saborear o que de bom tem a vida. Mas... Criar de propósito pedras no nosso caminho só para depois as podermos saltar? Parece-me mal. Aliás, parece-me de tolos, ou de quem não viveu o suficiente para aprender a esperar. Para aprender que crescemos com o que de mal nos acontece mas também que ficam cabelos brancos e noites mal dormidas como recordação... Para aprender que a vida já tem tempero suficiente, o q.b. de sweet e sour... para insistirmos em adicionar temperos...
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Jovem agricultora
A uma semana de ir embora continuo a desvastar a selva tropical que é o meu jardim. Espero acabar antes de Sábado... Depois de (mais) uma semana invernosa na bela terrinha de Treforest, o que eu mais quero é sol e praia! E descanso, se possível, que isto de ser jovem agricultora tem as suas mazelas:)
domingo, 27 de abril de 2008
Folhas soltas
De todos os livros que li, ficou-me a saudade das palavras.
Das palavras reais.
Do percurso destas no silêncio do eco.
Do seu caminho ondulante a sair dos lábios, a entrar por mim, a colher sorrisos.
De todos os livros que li, ficou-me o sabor a pouco dos gestos.
Faltou o toque.
A textura da pele na ponta dos dedos.
O calor dos outros...
Em todos os livros que li aprendi outros mundos.
Faltaram os meus.
Busquei-os....
De todas as páginas corridas na sofreguidão do desenrolar ficou a página dobrada quando o livro me caiu do colo.
Ficou a mancha de café derramado impressa para sempre...
De todos os livros que li, ficou o vazio eterno da tua ausência...
Das palavras reais.
Do percurso destas no silêncio do eco.
Do seu caminho ondulante a sair dos lábios, a entrar por mim, a colher sorrisos.
De todos os livros que li, ficou-me o sabor a pouco dos gestos.
Faltou o toque.
A textura da pele na ponta dos dedos.
O calor dos outros...
Em todos os livros que li aprendi outros mundos.
Faltaram os meus.
Busquei-os....
De todas as páginas corridas na sofreguidão do desenrolar ficou a página dobrada quando o livro me caiu do colo.
Ficou a mancha de café derramado impressa para sempre...
De todos os livros que li, ficou o vazio eterno da tua ausência...
quinta-feira, 17 de abril de 2008
The little things give me away...
Eu devia dar mais atenção às palavras.
Não aos gestos.
Não aos olhares que se cruzaram num milésimo de segundo da realidade ou numa porção mínima de tempo da minha imaginação.
Eu devia dar mais atenção às palavras.
Devia escutar os discursos bonitos, perder-me nas perguntas estudadas, nos interesses vulgares. Devia, acima de tudo, ignorar o que os gestos mostram, as acções dizem, os olhares calam.
Deveria, sem dúvida, esquecer-me do que vejo, do que sinto, do que sou...
Eu devia dar mais atenção às palavras...
Não aos gestos.
Não aos olhares que se cruzaram num milésimo de segundo da realidade ou numa porção mínima de tempo da minha imaginação.
Eu devia dar mais atenção às palavras.
Devia escutar os discursos bonitos, perder-me nas perguntas estudadas, nos interesses vulgares. Devia, acima de tudo, ignorar o que os gestos mostram, as acções dizem, os olhares calam.
Deveria, sem dúvida, esquecer-me do que vejo, do que sinto, do que sou...
Eu devia dar mais atenção às palavras...
sábado, 5 de abril de 2008
Voar

Sentada numa cadeira no aeroporto de Maastricht, enquanto espero pela hora de embarque para Amesterdão, constato que tenho uma vida maravilhosa. A possibilidade de viajar pelo mundo, de conhecer lugares e pessoas, culturas e línguas... E, nestas viagens solitárias, descubro que não tenho amarras... Não, apesar de tudo o que deixo para trás, da dor da saudade quando o coração pára para pensar... Mas o que fica vale a pena. E vale a pena deixar para trás o chão seguro, os portos estáveis e rotineiros. Voar. Bem alto. Bem longe. Sabe tão bem voar... E, quando volto, quando pouso novamente os pés em terra, meus horizontes aumentaram, meu mundo abriu-se dentro de mim. Ou abri-me ao mundo para receber tudo o que tem para me dar. Não me quebro por religiões. Morais. (Pre)conceitos. Vivo os meus dias com a certeza do presente, a incerteza do que me espera amanhã. E há tantos amanhãs à minha espera... E hoje sou feliz.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
A queimar os últimos cartuchos

As aulas acabaram hoje e, a dois dias de ir embora... eu não quero! Quero antes ficar aqui, não ter que cozinhar, nem limpar, nem correr para apanhar comboios todos os dias. Quero a boa vida! Snif, snif...
Fiz anos aqui e a Leah também. Desde o fim-de-semana passado que temos andado a comemorar... O que significa que todos os dias (ou quase todos) temos saído, ou para beber uns copos nos bares ou para comer pizzas no take-away da esquina. Tem sido giro. E gostei imenso da minha pseudo-festa de anos...
Bem, vou arranjar-me para sair, hoje é noite de queimar os últimos cartuchos e, amanhã, noite de fazer as malas... Com mais algumas experiências na bagagem... I'm going home.
sábado, 22 de março de 2008
Neva em Maastricht... (e neva dentro de mim)
Já me disseram muitas vezes que é bom ser assim. Lançarmo-nos à aventura sem olhar para trás. Deixar o que temos (ou não temos) e correr mundo em busca dos sonhos... Não em busca do que somos. Isso, presume-se, já o encontrámos há muito... Mas por vezes o corpo cansa-se, as botas gastam-se em caminhos e caminhos, e perdemos a fé no que queremos. E por vezes queremos colo. Um lar. Um abraço amigo. Ou simplesmente deitar a cabeça na almofada e pensar em nada... Falta-nos a força para seguir, talvez porque a meta se tornou difusa no horizonte, ou simplesmente porque mudamos de rota a meio do percurso sem darmos por isso. Talvez as mãos estejam agora cheias de pó, em vez de sonhos... Talvez porque o que traçamos no papel fale de nós, e nós somos sempre mais um ou mais muitos, e nunca poderemos desenhar nosso percurso sozinhos. Eu proclamo que não preciso de ninguém (e por vezes preciso...). Nostalgias em Maastricht talvez não fosse o traçado no início da viagem... Mas acontecem. E acontecem sempre, quer estejamos longe ou perto, na nossa casa ou num quarto da residência de estudantes. Resta-nos fechar os olhos e acordar mais felizes, e preparar as armas para o dia de amanhã. E, já agora, esperar mais um pouco pelo abraço quentinho daqueles que nos são queridos...
domingo, 16 de março de 2008
Ode to my friends
Diz-me outra vez o teu nome
que o deixei esquecido, perdido
em qualquer lugar sombrio
Diz-me outra vez o teu rosto
que, de tantas voltas que dei,
se esbateu na memória dos passos
E diz-me outra vez os teus gestos
que, de serem raros,
nunca os soube e nunca os tive,
mas marcaram a mágoa das viagens....
que o deixei esquecido, perdido
em qualquer lugar sombrio
Diz-me outra vez o teu rosto
que, de tantas voltas que dei,
se esbateu na memória dos passos
E diz-me outra vez os teus gestos
que, de serem raros,
nunca os soube e nunca os tive,
mas marcaram a mágoa das viagens....
Brussels, capital da Europa
Entro num comboio às 7 da manhã, o que significa que me pus a pé às 5... Nem deu para tomar o pequeno-almoço, nem para avisar o cozinheiro que vamos estar fora o dia todo.... Ups. Chegamos a Bruxelas às 9 da manhã, uma manhã triste e chuvosa, cheia de vontade de voltar para a minha caminha e de beber um café quentinho. Às vezes achamos que as diferenças culturais são mínimas mas a ideia de pequeno almoço da Sarah, Jo, Leah, Abi e Eli é uma sande fria de queijo e alface...Que tristeza...
Bruxelas (depois do famoso café) começou a ter outro encanto, acreditem. A praça central é extremamente cosmopolita e os edifícios da cidade reflectem a riqueza histórica do seu passado. Eu e a Sarah decidimos que o objectivo da viagem não era passar o dia no pub a beber, e fomos ver os museus da cidade. Um dia bem passado, sem dúvida, apesar de não sentir as pernas quando finalmente cheguei aos halls da universidade. Curti! (A única coisa que me falta aqui são os meus amigos, para esta aventura ter o verdadeiro sabor de aventura:() Miss u a lot guys:(
quarta-feira, 12 de março de 2008
Maastricht à tarde
Ontem fui conhecer a cidade. Eu e as britas, claro, que os americanos andam em manada e não querem nada connosco. Fomos também a um museu, a meio caminho entre Maastricht e Aachen, a cidade alemã mais próxima. Muito giro, o museu de arte africana. Tivemos também direito a um workshop para aprender a tocar djambé e os ritmos tradicionais. Uma hora de workshop resultou em mãos com nódoas negras e dedos inchados (acho que me entusiasmei um bocadito...). Mas, a partir de agora, posso considerar-me uma expertise em matéria de djambés e prometo já que no próximo concerto de Vilar de Mouros, lá estarei, sentada no chão no meio das tendas, a mostrar a minha "técnica". hihihihihihih
1º dia de aulas
Pronto. Isto é só um sonho mau e eu vou acordar na minha cama, no meu quarto de hospital. Vou perceber que nada disto é real. Vou... Bem, acho que não vale a pena estar com rodeios: de alguma maneira eu estou na América, numa sala de liceu daqueles que se vê nos filmes, com direito a cheerleader e tudo! A minha turma tem 17 alunos (é a maior dos quatro modulos que podíamos escolher), 15 americanos, eu e a Sarah, a galesa que veio comigo de Glamorgan.... E eles são tão... americanos! Sério, ainda agora comecei e já preciso de férias. Começo a ficar feliz por estar no 4º andar sozinha! Help!
1º dia - 8 de Março/08
A cidade é, sem dúvida, linda! Muito ampla, limpa e cheia de espaços verdes. Repleta também de... bicicletas. Pensei que as pessoas exageravam, mas não: bicicleto-mania é mesmo uma doença holandesa. A cidade é praticamente plana, o que torna tudo muito mais fácil. Até os velhotes andam de bicicleta! E na viagem de autocarro para a universidade passei por uma escola primária... com o seu próprio parque de estacionamento para as bicicletas pequeninas! LOL
A universidade fica numa zona mais calma da cidade, e é bastante grande. Disseram-me que o edifício foi, em tempos, um hospital. Olhando bem para os corredores... bem, torna-se um bocado creepy pensar nisso, mas a verdade é que mesmo o meu quarto tem qualquer coisa de... quarto de hospital.
Cheguei sozinha, as outras 6 raparigas da Universidade de Glamorgan vieram mais cedo... E puseram-me, sozinha, no quarto andar! O meu quarto é enorme, tenho TV e frigorífico mas não consigo apanhar sinal de net...:( E a vida sem internet é quase impossível, é como faltar um pedacinho de nós)... Bem, talvez esteja a dramatizar um bocadinho mas a verdade é que preciso mesmo de internet... Socorro! Alguém me ajude!
Praise to the Fokkers!
Cheguei! E a viagem correu tão bem! Não sei se foi por estar com muuuuito sono ou se realmente é assim, só posso dizer que os fockers são uns aviões do c....lho! Qual boings, qual quê! Aterragem e descolagem do mais suave que eu já vi (e senti), uma maravilha! Bem, a verdade é que o Fokker que me trouxe de Amersterdam para Maastricht mais parecia uma avioneta...
Quando cheguei a Maastricht fui informada que não fazem câmbios no aeroporto... Levantei dinheiro para pagar ao motorista do autocarro e acho que ele me rogou 500 pragas em holandês porque não tinha troco para a nota de 50€ que lhe dei. Mas o importante é que cheguei, e o resto... fokker it!
Maastricht - preparação da viagem
Finalmente... Ando a planear esta viagem à meses (o que não quer dizer que não tenha feito tudo à última da hora)... As coisas não começaram muito bem; ainda em Treforest perdi o comboio para o aeroporto (já sei, amigos, minha culpa) e tive que gastar alguns pounds extra no táxi. Dinheirinho que me fazia bem mais falta aqui, nesta linda cidade, com tanto que ver e comprar...
Acho engraçado o negócio dos táxis em Gales... É como ir à feira em Portugal e regatear o preço das coisas com os feirantes. Os taxistas são quase todos marroquinos e atiram números para o ar a ver se cola... Das £30 que me pediam a princípio baixaram para £22, o que não é mau de todo e me fez sentir um bocadinho melhor. E. já agora, obrigada Ricardo, Titus e Francisco, por terem esperado comigo uma hora ao frio. Valeu, amigos!
(A verdade é que do entusiasmo inicial de ir para Maastricht pouca coisa ficou. Gut feeling que não devo ir, sei lá. Espero estar enganada...)
Acho engraçado o negócio dos táxis em Gales... É como ir à feira em Portugal e regatear o preço das coisas com os feirantes. Os taxistas são quase todos marroquinos e atiram números para o ar a ver se cola... Das £30 que me pediam a princípio baixaram para £22, o que não é mau de todo e me fez sentir um bocadinho melhor. E. já agora, obrigada Ricardo, Titus e Francisco, por terem esperado comigo uma hora ao frio. Valeu, amigos!
(A verdade é que do entusiasmo inicial de ir para Maastricht pouca coisa ficou. Gut feeling que não devo ir, sei lá. Espero estar enganada...)
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